Sexta-feira, 17 de Julho de 2009

Pedras e pedregulhos

 

Filho do povo criado nas alturas

com pinheirais em torno e um vento cru

rachando a solidão das fragas duras

que nos tratam por tu.

Daí

esta sede saibrosa que nos cresta

(nem sei ó meu irmão como tu medras)

Daí

esta fome surda de giesta

comendo a terra das próprias pedras

Filha dos montes que não tem nome

e pastora de um corpo a ver que o rebanho

do tempo breve come.

Um relâmpago a tua formosura.

 

 Luís Veiga Leitão In Dispersas

 

A PEDRA

 

BIOGRAFIA PÉTREA

 

Rugosa dureza que respiro

cerrado silêncio

rastro das nuvens que partiram

quartzo das montanhas da Nave

xisto azul dos montes Dúrios

 

- Pedras machos me pariram

 

Partido e repartido sob linhas férreas

no forro a côdea do sol e o salário

dos passos ingénuos, degraus de vinhas

e suor e sonho de maltas que saibraram

as entranhas do fogo e as vísceras do mar.

 

- Pedras fêmeas me criaram

 

Minha cidade de funduras compacta

granitos «dente de cavalo» entre os quais

corre uma língua de espelhos marginais

granitos que sobem no ímpeto das torres

e olham, olhos facetados, o sonoro

poente das clarabóias, íris ardendo

 

- Pedras da minha pedra onde morro e moro.

 

 Luís Veiga Leitão “IN ROSTO POR DENTRO”

 

 

publicado por naveserra às 13:52

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