Segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Câmara e juntas de freguesia defendem projecto do Parque Eólico Douro sul

 Câmara e Juntas de Freguesia defendem projecto do Parque Eólico Douro Sul

 

Posição da Quercus «é um exagero»

A Câmara Municipal de Moimenta da Beira, bem como as Juntas de Freguesia de Leomil e Alvite, onde será implantado um maior número de aerogeradores, são unânimes na defesa do projecto do Parque Eólico do Douro Sul. Todos consideram que, apesar de se mostrarem sensíveis à questão do Lobo-ibérico, este projecto, de enorme impacto financeiro, não pode vir a ser inviabilizado por causa de um «preciosismo» da Quercus.

Maria João Silva

mjs.jornalbeirao@gmail.com

«A serra também tem que ser gerida em função das pessoas que lá vivem». É assim que José Agostinho Correia, ainda presidente da Câmara Municipal de Moimenta da Beira justifica a sua posição favorável à construção do Parque Eólico do Douro Sul, discordando da posição da Quercus, que pretende inviabilizar o projecto nesta zona. «Sou a favor da manutenção de um trilho, de um corredor ecológico para que os lobos possam continuar a transitar nesta região» e «acho que é possível compatibilizar as coisas», frisa. «Não podemos ser radicais, temos que ser razoáveis e ver a importância que este projecto terá para as populações locais e, sobretudo, para as Juntas de Freguesia». O concelho de Moimenta, tal como o de Sernancelhe, «ficará com uma fonte de receita muito importante, não só para as Juntas, que têm poucos recursos para promover os seus investimentos, mas também para a própria Câmara», adianta o autarca. A concretizar-se, este projecto garantirá para o município uma receita de 2,5 por cento sobre a produção energética, o que, segundo as contas do autarca, «poderá chegar aos 700 mil euros por ano». Trata-se de «um número muito atractivo, sobretudo tendo em conta as dificuldades financeiras do município». José Agostinho Correia defende que «interessa à autarquia manter a serra como um espaço natural e de interpretação da natureza, mas não podemos esquecer as expectativas que foram criadas, em termos financeiros». Além disso, refira-se, foram já assinados os diversos acordos de aluguer dos terrenos com a empresa proponente.

«Toda a zona da Nave e de Leomil tem populações que viveram muito isoladas e com poucos recursos; ultimamente os espaços agrícolas têm sido completamente abandonados; e é chegada a altura de permitir alguma fonte de rendimento àquelas populações», frisa José Agostinho Correia, adiantando que, «além das rendas oficiais, dos benefícios financeiros directos, as freguesias ainda poderão vir a beneficiar de alguns investimentos, nomeadamente na área social». Em reuniões com a empresa proponente, a autarquia propôs algumas «contrapartidas» para as freguesias, que se poderão traduzir em «apoios aos lares de Alvite, Leomil e Sever; ao espaço museológico de Leomil, espaços sociais em Pêra Velha e Ariz». Este «tem que ser um projecto que as pessoas percebam claramente que é benéfico e traz bons contributos para a sua terra», argumenta.

António Macedo, presidente da Junta de Freguesia de Leomil, onde a empresa Parque Eólico Douro Sul pretende implantar 27 aerogeradores, assegura que este projecto «é de suma importância para a freguesia». Mantendo-se o valor de 9 a 10 mil euros/ano por cada aerogerador, tal como já acontece com as torres que já existem, «a Junta de Freguesia de Leomil iria receber uma quantia muito considerável, a que nunca teria acesso sem este projecto». António Macedo frisa que «é possível viabilizar este projecto, desde que sejam mantidos os corredores por onde passam os lobos e que os aerogeradores estejam afastados da zona crítica». A posição da Quercus, no seu entender, «é um exagero» e, a dar frutos, «constituirá um prejuízo enorme para Leomil e para o concelho, inviabilizando o futuro das freguesias». «Devia haver bom-senso», defende, «não se pode inviabilizar um projecto desta envergadura por causa de um preciosismo». No entender de António Macedo, o parque eólico «deve ir para a frente, salvaguardando o Lobo-ibérico», porque «é possível conseguir as duas coisas».

Sidónio Clemêncio da Silva, presidente da Junta de Freguesia de Alvite, adianta que também já foram assinados acordos entre a Assembleia de Compartes de Alvite e a empresa, para a colocação de 11 aerogeradores naquela freguesia. «Concordamos com a construção do parque desde o início, acho que é um projecto muito importante para a freguesia porque irá gerar uma receita muito significativa, que de outra forma nunca teríamos», frisa o autarca, confessando que «até reivindicámos mais torres para a freguesia de Alvite». Apesar de se mostrar «incomodado» com o impacto paisagístico e de considerar que «a nossa serra ficava bem melhor sem as torres», adianta que «temos que ver o outro lado, que tem um peso muito grande para o futuro da freguesia». Sidónio Clemêncio considera que, a ser inviabilizado o projecto por causa do Lobo-ibérico, «o Estado terá que beneficiar estas freguesias de outra forma, porque já foram criadas expectativas muito sérias».

A colocação de 69 aerogeradores no concelho de Moimenta garante à autarquia uma receita na ordem dos 700 mil euros/ano

Fonte: Jornal Beirão

publicado por naveserra às 19:31

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