Quinta-feira, 30 de Julho de 2009

Serra da Nave: Um caso a pensar, muitos cuidados a tomar.

Não é todos os dias que se pode usufruir de um agradável périplo por entre natureza tão pouco tocada pelo Homem como o que fiz, ao longo de vários quilómetros, na Serra da Nave. De facto, os sentimentos que experimentei foram de tal forma avassaladores que me vi obrigado a prometer a mim mesmo voltar lá antes do final do estio. Por entre espécies autóctones de rara beleza, perfumes silvestres que nos activam sensores odoríferos que julgamos adormecidos pela vida citadina, cores arcoíricas de espécies florais características desta estação e sons naturais da vida selvagem que pulula por estes montes arredondados, fui avançando, em trilhos já feitos, com a calma necessária para estar atento aos pormenores, até que me deparei com um cenário dantesco, para quem julgava estar no paraíso – lixo!!

 

 A presença de resquícios de actividade humana, ou resíduos sólidos urbanos como pomposamente lhe chamam, num local onde só uma mente desajustada pode julgar ser o local certo para os deixar devia ser considerado um atentado à natureza. E esta situação repetiu-se mais vezes do que seria moralmente aceitável mas não ficou por aqui…

Ainda não estava refeito do choque quando deparo com uma quantidade indeterminada de veículos em fim de vida estacionados em solo registado em nome do Reino Plantae. Quem sabe que nós, humanos, dependemos da natureza, da biodiversidade; quem reconhece a importância da sustentabilidade em termos locais, não estranha que o dia ensolarado que me viu partir, de manhã, para a Serra da Nave, tenha escurecido bastante ao meio-dia.

 

Esta Serra pode vir a ser explorada em termos turísticos pois possui trilhos interessantes, pontos históricos (como as orcas) e imensos locais onde a beleza natural se encarrega de fazer o chamamento ao comum dos curiosos. Mas há cuidados a tomar pelas entidades responsáveis no sentido de não deixar que alguns estraguem aquilo que é de todos (os seres vivos) e, quem sabe, valerá sempre a pena candidatar este local a Área Protegida podendo até usufruir de algumas verbas estatais.

Alexandre Ferreira

publicado por naveserra às 17:36

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